sexta-feira, julho 30, 2010

Tenho achado impressionante a quantidade de polícia que tem perambulado e estacionado no centrão da capitar. Minha vizinhança, que antes era formada de craqueiros, travecos e imigrantes-cem-por-cento-ilegais, agora é os cocha, que moram na minha praça e na minha esquina, têm base na minha rua e ficam abordando os carros que cruzam a faixa de gaza em busca de diversão. A única vantagem é que esses usam farda, a gente vê de longe e, se precisar, passa longe.
Dias desses, escutava no busão uma mulher contando pelo celular um episódio que me deixou de cabelo em pé, protagonizado por um cocha, sem farda.
A mulher, empregada doméstica, morena, saiu do serviço, pegou sua filha de 11 anos na escola (uniformizada), comprou um tênis e estava em uma lanchonete próxima a um ponto de ônibus. Ao ver que se aproximava o seu ônibus, a mulher apressou a filha, disse pra matar logo o suco e correrem para o ponto. O cocha, à paisana, achou tal atitude suspeita e abordou a mulher. Queria que ela abrisse a bolsa, a caixa com tênis, a dignidade.
Brava, a mulher não entendeu por que, relutou em atender à ordem. O homem demorou para se identificar, ficaram batendo boca, depois disse que era policial e que ela estava tendo uma atitude suspeita e desrespeitando autoridade. Ela abriu bolsa, mostrou documento, disse onde trabalhava e que ligaria para o patrão confirmar tudo. O homem pegou a caixa, achou o tênis e pediu a nota fiscal, afinal ela poderia ter roubado o par de tênis, enfiado na sacola da loja e saído sem pagar. Com tanto nervoso, a mulher não achava a nota, nem se conformava com a situação. A filha, assustada, começou a chorar. A mulher ligou para o patrão, quis dar o celular para o cocha conversar, mas ele foi indo embora, dizendo que suspeitou de sua pressa, por isso a abordou, mas que estava “tudo bem”.
A mulher, ainda muito brava, conseguiu finalmente tomar o ônibus. Sentou-se, ligou para o patrão, contou pra ele (e pra mim) toda a absurda história e desligou. Virou-se para a filha e falou:
Minha filha, você é chorona, você foi fraca, não pode chorar. E preste bem atenção. Você está ficando moça e logo vai arrumar um namorado. Minha filha, nunca namore nem se case com um policial. Policial é um tipo de homem acostumado a abusar do próprio poder. Um policial, minha filha, vai fazer da sua vida um inferno.

Um comentário:

Bia disse...

FO-DA!!!