quinta-feira, outubro 21, 2010

A criação do mundo para os Desana

Todos eles chegaram trazendo as quatro cuias de terra e entregaram-nas para Baaribo que estava no centro do que ia ser o mundo. Baaribo tinha um tipo de pano de tururi (wasu gasiro) dobrado no ombro. Esse pano era muito grande: ele tinha o tamanho do mundo. Baaribo pegou-o e estendeu-o no chão e derramou a terra bem no centro. O pano era para segurar a terra. Se ele não fizesse isso, a terra iria cair e o mundo nunca existiria. Enquanto ele estava fazendo isso, arrancou, por meio de um benzimento, os dentes dos micróbios da terra: dos micróbios pretos da terra preta, dos micróbios vermelhos da terra roxa, dos micróbios brancos da terra branca, dos micróbios marrons da terra de pólvora. Os micróbios ficaram sem dentes. Depois ele arrancou as suas pernas. Por fim ele os matou. Matou-os todos. Ele estava preparando a terra para ela ser masári yéba (terra de nascer gente), masá kuipari yéba (terra da gente abrir os olhos), masá tõrãri yéba (terra de formar gente) e masá ehari yéba (terra de virar gente). Depois, espalhou a terra em cima do pano de tururi e a deixou bem firme. Ele estava fazendo isso para as futuras gerações. Foi Baaribo que preparou a terra para nós.

(Livro dos antigos Desana)

sexta-feira, julho 30, 2010

Tenho achado impressionante a quantidade de polícia que tem perambulado e estacionado no centrão da capitar. Minha vizinhança, que antes era formada de craqueiros, travecos e imigrantes-cem-por-cento-ilegais, agora é os cocha, que moram na minha praça e na minha esquina, têm base na minha rua e ficam abordando os carros que cruzam a faixa de gaza em busca de diversão. A única vantagem é que esses usam farda, a gente vê de longe e, se precisar, passa longe.
Dias desses, escutava no busão uma mulher contando pelo celular um episódio que me deixou de cabelo em pé, protagonizado por um cocha, sem farda.
A mulher, empregada doméstica, morena, saiu do serviço, pegou sua filha de 11 anos na escola (uniformizada), comprou um tênis e estava em uma lanchonete próxima a um ponto de ônibus. Ao ver que se aproximava o seu ônibus, a mulher apressou a filha, disse pra matar logo o suco e correrem para o ponto. O cocha, à paisana, achou tal atitude suspeita e abordou a mulher. Queria que ela abrisse a bolsa, a caixa com tênis, a dignidade.
Brava, a mulher não entendeu por que, relutou em atender à ordem. O homem demorou para se identificar, ficaram batendo boca, depois disse que era policial e que ela estava tendo uma atitude suspeita e desrespeitando autoridade. Ela abriu bolsa, mostrou documento, disse onde trabalhava e que ligaria para o patrão confirmar tudo. O homem pegou a caixa, achou o tênis e pediu a nota fiscal, afinal ela poderia ter roubado o par de tênis, enfiado na sacola da loja e saído sem pagar. Com tanto nervoso, a mulher não achava a nota, nem se conformava com a situação. A filha, assustada, começou a chorar. A mulher ligou para o patrão, quis dar o celular para o cocha conversar, mas ele foi indo embora, dizendo que suspeitou de sua pressa, por isso a abordou, mas que estava “tudo bem”.
A mulher, ainda muito brava, conseguiu finalmente tomar o ônibus. Sentou-se, ligou para o patrão, contou pra ele (e pra mim) toda a absurda história e desligou. Virou-se para a filha e falou:
Minha filha, você é chorona, você foi fraca, não pode chorar. E preste bem atenção. Você está ficando moça e logo vai arrumar um namorado. Minha filha, nunca namore nem se case com um policial. Policial é um tipo de homem acostumado a abusar do próprio poder. Um policial, minha filha, vai fazer da sua vida um inferno.

sexta-feira, julho 23, 2010

De manhã

Estou apaixonada por essa música (do Caetano),pela Bete e pela Bethania...

Ouça aqui:


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quinta-feira, abril 01, 2010

Marumbi

Gabriela tinha namorado os irmãos Gilberto e Gustavo. Com um de cada vez. Gilberto era 3 anos mais velho que Gustavo e conheceu e namorou Gabriela primeiro. Ela trabalhava numa lojinha de shopping que vendia equipamento para montanhistas. Ele, vendo preço de mochila, combinou rolê com Gabriela e namoraram nas alturas por uns 3 anos. Rapaz sério, não ia ficar a vida inteira subindo montanhas. Foi estudar. Gabriela, na mesma lojinha, guardava toda a grana para os rolês e morava com os pais, a avó, um irmãozão e um irmãozinho num apartamento minúsculo no centro de Curitiba. Gilberto foi ficando chato para Gabriela e Gabriela sem noção demais para Gilberto, estudante de medicina. Separaram-se sem mágoas.

Gabriela e Gustavo se cruzaram em um fim de semana. Conversaram sobre há quanto tempo... E você continua indo pra tals? Combinaram, saíram de rolê e namoraram em muitos mais picos diferentes e se curtiram muito. Gustavo entrou muito mais na onda de montanhismo do que o irmão. Viajou com a Gabriela e sem, mas chegou uma hora que essa história deu pra ele também... e foi cuidar da sua vidinha. Separaram-se. Gabriela até que sofreu dessa vez, mas foi levando.

A mãe da Gabriela achava bonito o nome do lugar aonde a filha sempre ia: Marumbi... Marumbi, mas não aguentava em seu coração imaginar sua filha pendurada em alturas. Gabriela só dizia que ia acampar com o Gilberto, depois com o Gustavo, ela fazia que acreditava. Mas gostou mesmo quando soube que Gabriela havia encontrado um bom homem estadunidense, de quem já estava noiva, iria se casar e morar na Califórnia. Fizeram planos de remanejamento do apê.

Gabriela foi e até que estava um pouco feliz.

Dois meses depois morreu em um acidente de carro, na gringa.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

terça-feira, janeiro 19, 2010

Alô comunidade!!! Olha os Filhos da Santa aí gente!!!!

Pisa firme neste chão
Levanta poeira
Somos Filhos da Santa Cecília
Nossa Padroeira


Hélio Bagunça: Saudade do 1º. Diretor de Harmonia do Carnaval
Compositores: Dema das Candongas e Alex do Cavaco


Vou, quem vai brindar
Hélio Bagunça a saudade está aqui
Para te saudar
Filhos da Santa nunca esquecerão de ti. (BIS)

Ô de branco...
De branco, azul e dourado eu vou contar
Essa história que vai te emocionar
Hélio, Cidadão do Samba,
Só quem é bamba é que pode confirmar
E no ecoar da bateria
Nossa família hoje vai é bagunçar

E faz toda Santa Cecíia vibrar
Se emocionar (BIS)

Ôôôô são tantas obras que o padrinho nos deixou
Ôôôô no São Paulo Chic e a Tom Maior fundou

É de arrepiar com seu encanto
Foi o orgulho da Camisa Verde e Branco. (BIS)

Oi quem vai!

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Cyberexército iraniano atacou o Twitter!

O serviço de microblogging Twitter foi hackeado na madrugada desta sexta-feira, 18 de dezembro.

O site www.twitter.com ficou alguns segundos fora do ar quando às 4h em ponto aparece a imagem da bandeira do Irã e a seguinte mensagem do autointitulado "Iranian Cyber Army" (Cyber Exército Iraniano):

"Este site foi hackeado pelo cyberexército iraniano. Os Estados Unidos pensam que controlam e administram o acesso a internet mas não. Nós controlamos e administramos a internet pelo nosso poder, então não estimule o povo iraniano a.......... Agora qual país na lista de embargo? Irã? Estados Unidos? Nós os colocamos na lista de embargo! ;) Tomem Cuidado"

Nem mesmo o endereço status.twitter.com, que é hospedado em um Tumblr e informa as condições da ferramenta, permaneceu no ar, o que sugere um ataque ao DNS do site. A mesma mensagem também está no site www.mowjcamp.org